Por Assessoria de Marketing e Comunicação do Amadeus & Santos Advogados Associados. Atualizado em julho de 2026.
A audiência trabalhista costuma ser o primeiro contato de muita gente com a Justiça. Ela chega logo no início do processo e traz dúvidas bem práticas: o que é uma audiência una, onde eu sento, se vou precisar falar e o que acontece se eu faltar. Neste guia, respondemos cada uma delas em linguagem simples, para que você chegue seguro ao dia.
O que é a audiência trabalhista e quando ela acontece
Na audiência trabalhista, o juiz do trabalho reúne as partes, de forma presencial ou por vídeo, para tentar um acordo, ouvir a defesa da empresa e colher as provas. A CLT prevê esse encontro, e a Justiça costuma marcá-lo em pouco tempo depois que o trabalhador ajuíza a ação.
No dia a dia, quem entra com uma reclamação em Aracaju cai em uma das Varas do Trabalho da capital, que integram o Tribunal Regional do Trabalho da 20ª Região. Em Brasília, o caso corre nas varas ligadas ao Tribunal da 10ª Região. Muda o endereço, mas a lógica da audiência permanece a mesma em todo o país.
Antes de tudo, guarde um ponto que costuma tranquilizar: a Justiça do Trabalho valoriza muito o acordo. Por isso, a conversa quase sempre começa por essa tentativa, e não por uma discussão técnica.
Ponto que acalma: você não estará sozinho. O seu advogado conduz a parte técnica e fala pela maior parte do tempo. A sua fala, quando acontece, é curta e você a prepara com antecedência.
Audiência una, inicial e de instrução: entenda a diferença
Talvez você já tenha ouvido os termos audiência una, inicial ou de instrução. Na verdade, a diferença entre elas nasce do rito do processo, que depende do valor da causa. Veja como isso funciona:
| Rito | Valor da causa | Como funciona a audiência |
|---|---|---|
| Sumário | Até 2 salários mínimos | Procedimento bem simples, pouco comum no dia a dia |
| Sumaríssimo | De 2 a 40 salários mínimos | Audiência una: acordo, defesa e provas em um só encontro (art. 852-C da CLT). Cada lado leva até duas testemunhas |
| Ordinário | Acima de 40 salários mínimos | O juiz pode concentrar tudo em uma audiência una ou dividir em inicial e de instrução. Cada lado leva até três testemunhas |
Na prática, funciona assim. Na audiência inicial, o juiz tenta o acordo e a empresa apresenta a defesa. Em seguida, na audiência de instrução, o juízo colhe os depoimentos e ouve as testemunhas. Já quando o juiz reúne tudo em um só dia, chamamos de audiência una. Ou seja, o nome apenas descreve quantos encontros o seu caso terá.
Quem é quem na sala, e onde sentar
Agora, a dúvida que quase ninguém pergunta em voz alta: onde eu sento? Fique tranquilo, porque um servidor da vara sempre orienta cada pessoa no lugar certo. Ninguém precisa adivinhar.
De forma geral, o juiz ocupa a cabeceira e conduz o ato. De um lado, sentam o trabalhador (o reclamante) e o seu advogado. Do outro, ficam a empresa (a reclamada), o preposto que a representa e o advogado dela.
O preposto merece uma explicação à parte, porque ele fala pela empresa. Desde a reforma de 2017, ele não precisa ser empregado da reclamada (art. 843, parágrafo 3, da CLT). No entanto, existe um detalhe que pesa muito: tudo o que o preposto declara vincula a empresa. Por isso, ele precisa conhecer bem os fatos, sob risco de prejudicar a própria defesa.
O passo a passo do dia
Apesar da tensão, a audiência trabalhista segue uma ordem previsível. Conhecer essa sequência, desde já, ajuda bastante a reduzir o nervosismo:
Como a audiência costuma acontecer
Conciliação
O juiz abre o ato com uma tentativa de acordo. Havendo consenso, o processo pode terminar ali mesmo.
Defesa
Sem acordo, a empresa apresenta a sua defesa, chamada de contestação, junto com os documentos.
Depoimentos
Depois, o juiz ouve as partes e, em seguida, as testemunhas, cada uma na sua vez.
Sentença
Por fim, os advogados resumem o caso e o juiz decide, na hora ou em pouco tempo.
Se você for ouvido: o depoimento
Muita gente teme o momento de falar, então vale detalhar. Se o juiz decidir ouvir você, ele fará perguntas sobre os fatos, e você responde com o compromisso de dizer a verdade. Ainda assim, em regra quem mais fala é o seu advogado, não você.
Existe, porém, um cuidado importante. Se o juízo intimar você para depor na audiência de instrução e você faltar, o juiz pode aplicar a chamada confissão ficta, ou seja, passar a considerar verdadeiros os fatos contra você. Por isso, quando essa audiência é marcada, comparecer deixa de ser opcional.
Para saber como responder bem, o que você pode e o que não é obrigado a dizer, veja o nosso guia sobre a audiência de instrução e julgamento, onde detalhamos o depoimento pessoal.
A tentativa de acordo
Afinal, a tentativa de acordo é o coração da audiência trabalhista, e ela pode voltar mais de uma vez ao longo do processo. Aceitar ou não, no entanto, cabe sempre a você.
Antes de fechar qualquer acordo, vale observar dois pontos ao lado do seu advogado. Primeiro, o que exatamente ele quita, porque um acordo costuma encerrar aquilo que menciona. Segundo, o valor e a forma de pagamento, à vista ou em parcelas, e o que acontece caso a empresa não pague. Na dúvida, você pode pedir um instante para conversar a sós com o seu advogado.
E se eu faltar?
Faltar sem justificar gera consequências diferentes para cada lado. Portanto, vale conhecê-las antes:
- Quando o trabalhador falta, o juiz arquiva o processo. Além disso, pode condená-lo a pagar as custas, mesmo com justiça gratuita, a não ser que ele comprove em 15 dias um motivo legalmente justificável (art. 844 da CLT). E esse pagamento passa a ser condição para entrar com a ação de novo.
- Quando a empresa falta, o juiz aplica a revelia e a confissão sobre os fatos. Na prática, ele presume verdadeiro aquilo que o trabalhador alegou.
Diante disso, se algo realmente impedir a sua presença, avise o escritório o quanto antes. Assim, dá para justificar a ausência da forma correta e evitar o arquivamento.
Como se preparar
Na verdade, a melhor preparação não é decorar respostas, e sim alinhar tudo com o seu advogado antes do dia. Além disso, alguns cuidados práticos fazem diferença:
- Leve um documento oficial com foto e, se tiver, a carteira de trabalho e os documentos que o advogado pedir.
- Combine as suas testemunhas com antecedência, para que elas saibam o dia, o horário e o formato, presencial ou por vídeo.
- Repasse os fatos com calma, porque uma contradição pesa muito mais do que admitir que você não se lembra de um detalhe.
- Vista-se de forma sóbria e siga a etiqueta da sala, os mesmos cuidados de roupa e postura que reunimos no guia geral de audiência.
O que acontece depois da audiência
Assim, se houve acordo, o juiz o homologa, e ele passa a valer como uma decisão, com data e forma de pagamento definidas. A partir daí, o combinado ganha força de cumprimento obrigatório.
Se não houve acordo, o processo continua. O juiz colhe as provas e, ao final, profere a sentença, às vezes na própria audiência, às vezes depois, dentro do prazo legal.
Da sentença ainda cabe recurso, chamado de recurso ordinário, que leva o caso ao Tribunal Regional do Trabalho. Então, o seu advogado avalia se vale a pena recorrer e explica os próximos passos. Cada tipo de causa trabalhista tem detalhes próprios, tema que aprofundamos na nossa área de Direito Trabalhista.
Vai ter uma audiência trabalhista?
Nossa equipe prepara você para a audiência e ajuda a avaliar qualquer proposta de acordo com segurança. Atendimento em Aracaju/SE e Brasília/DF.
Falar com a equipe no WhatsAppPerguntas frequentes
Sobre o formato e o seu papel
O que é audiência una?
Onde eu sento na audiência trabalhista?
Vou precisar falar na audiência?
Quantas testemunhas eu posso levar?
Sobre faltas, a empresa e o acordo
O que acontece se eu faltar?
A empresa pode mandar qualquer pessoa na audiência?
Sou obrigado a aceitar o acordo?
Amadeus & Santos Advogados Associados
Escritório com 34 anos de atuação, sede em Aracaju/SE e unidade em Brasília/DF, com equipes em dez áreas do Direito, entre elas Cível, Trabalhista e Previdenciário. Conhecer o escritório.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a análise individual de um advogado. Cada caso tem particularidades que devem ser avaliadas tecnicamente. Normas e entendimentos citados vigentes em julho de 2026.